Na festa de final de ano do meu filho, estive à conversa com uma mãe que me dizia que a filha, também com 5 anos, não contava nada do que se passava na escola. Fiquei surpreendida porque o L. conta imensa coisas, vimos no carro a fazer partilha do que se passou no meu trabalho e ele conta o que se passou na escola, ou então, ao jantar acabamos por conversar em família, entre todos.

Nos últimos meses tenho dado por mim a “treinar-me” para fazer questões diferentes ao meu filho de 5 anos. Recentemente, nas nossas conversas tomei a noção que fazia perguntas muitas vezes de forma rápida e “automática” e isso reflectia-se na devolução de uma resposta fechada, sem qualquer convite ao pensamento crítico da parte dele. Confesso que tem sido um desafio. Creio que o facto de colocarmos questões abertas possa estimular a linguagem da criança, possa permitir fazer análises, comparações, aplicar o conhecimento que tem numa nova situação, possa avaliar a situação em concreto ou criar uma nova abordagem ao que lhe é pedido. O que pretende com esta tomada de consciência por parte do adulto é também que não dê as respostas à perguntas que eles nos fazem, por exemplo, mas que possa devolver uma nova, diferente, que o incentive a pensar críticamente sobre o assunto.

Então, o que são questões que estimulam o pensamento crítico dos nossos filhos?

São questões que permitem que a criança responda de forma individualizada, colocando na resposta toda a sua experiência pessoal. São questões que não permitem que a criança responda apenas “sim” ou “não”; ou com uma resposta óbvia, por exemplo: “quantas rodas tem este carro?” ou de resposta única: “De que cor é o sol?”.

Interessa dar nota que, cada criança é diferente e por isso, o nível de questões que fazemos devem então ser adequadas à faixa etária e ao desenvolvimento individual de cada um. A maioria das crianças com 3 anos utilizam primordialmente um pensamento muito concreto, utilizam uma linguagem muito literal, replicando, muitas vezes, o que têm à sua frente ou aquilo que conhecem da realidade. Crê-se que as crianças a partir dos 4 anos tendem a ter um pensamento mais abstrato, embora esta informação seja apenas uma indicação.

Sendo assim, deixo-vos alguns exemplos que utilizo em casa:

  1. O que gostaste mais na escola hoje?
  2. O que foi a coisa mais dificíl que tiveste de fazer na escola hoje?
  3. E o que foi mais divertido?
  4. Aconteceu alguma coisa na escola hoje que te fez sentir triste, o que foi?
  5. Sentiste-te orgulhoso hoje na escola, porquê?
  6. Qual foi o livro que a professora leu hoje na sala?

Na minha opinião, temos outros momentos durante o dia para este tipo de conversas, como as refeições! São momentos especiais (embora rotineiros) que potenciam que nos possamos conhecer melhor em família, mas também que as crianças possam aprender novas palavras, novas formas de se expressar, ao mesmo tempo que partilham ideias e emoções! A minha proposta vai novamente para colocarmos questões abertas com os nossos filhos, por forma a que eles reflitam no que realmente é importante, o que gostam ou não gostam, ou mesmo nos devolvam algumas das suas questões existenciais 🙂 Exemplos:

  1. O que era hoje a comida na escola? Havia alguma alimento que nunca tinhas experimentado, qual?
  2. O que podemos encontrar na nossa refeição de hoje que tenha mais de 10 peças? E que seja maior do que a tua mão? E da cor vermelha?
  3. Qual é o teu prato preferido?
  4. Se pudesses fazer uma refeição com este alimento, como seria?

Por fim, outro momento que podemos aproveitar para colocar este tipo de questões é o momento de ler um livro antes de ir dormir; essa rotina junta-se à lista de oportunidades de conversarmos com os nossos filhos e ajudá-los a compreender melhor as histórias que lhes contamos.

O melhor conselho é mesmo ler histórias que ambos gostem, quanto mais entusiasmados estivermos a contar a história, mais impactante será o momento para ambos 🙂 Se o nosso filho quiser ouvir constantemente o mesmo livro, creio que não será um problema: o facto de estar atento a ouvir a história, ajuda-o a praticar as suas capacidades de escuta, compreensão e concentração. Por fim, como os livros podem ser caros, uma boa possibilidade é registarmo-nos nas bibliotecas municipais e reservar livros semanalmente, por forma a conseguir estimular o gosto pelos livros e pela leitura.

Assim, deixo-vos sugestões de perguntas antes mesmo de abrir o livro:

  1. Como achas que será a história deste livro?
  2. Quem achas que são as personagens do livro?
  3. Onde é que achas que estas personagens vivem?

Depois de ler o livro, podemos continuar:

  1. O que achaste da história?
  2. Qual foi a tua parte favorita?
  3. Se pudessemos continuar a história, num livro novo, como seria?
  4. Consegues pensar num fim diferente? Qual?

Rosana Fernandes

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