Quando se fala das matemáticas, principalmente em tenras idades, arregalam-se de imediato os olhos, franzem-se sobrancelhas e vislumbra-se um ar num misto de surpresa e rejeição.

Contudo, as crianças pequenas são naturalmente atraídas pela ciência do número. A matemática, como a linguagem, é o produto do intelecto humano. É, portanto, parte da natureza de um ser humano.

A matemática surge da mente humana quando entra em contato com o mundo e contempla o universo e fatores como tempo e espaço. Representa o esforço do humano para entender o mundo em que vive. Todos os humanos exibem essa propensão matemática, até mesmo crianças pequenas.

Montessori absorveu a ideia de que o humano tem uma mente matemática, do filósofo francês Pascal. Maria Montessori disse que uma mente matemática era “um tipo de mente que é construída com exatidão”. A mente matemática tende a estimar, precisar quantificar, observar as semelhanças, diferenças e padrões, para obter perceção de ordem, sequência e controlo do erro.

O bebê e a criança pequena observam e experimentam o mundo de forma sensorial. A partir dessa experiência, a criança abstrai conceitos e qualidades das coisas no ambiente. Esses conceitos permitem que a criança crie uma ordem mental. A criança estabelece um mapa mental, que suporta a adaptação ao ambiente e as mudanças que podem ocorrer nele.

Ideias claras, precisas e abstratas são usadas para o pensamento. O crescente conhecimento da criança sobre o meio ambiente possibilita que ele tenha um sentido de posicionamento no espaço. Numerosidade também está relacionada com a orientação espacial. No primeiro plano de desenvolvimento contemplamos a tendência humana para ordenar, combinada com o período sensível da ordem, o que apoia a exatidão pela qual a criança classifica a experiência do mundo.

Os materiais Montessori ajudam a criança a construir uma ordem precisa. À criança são apresentados diversos materiais e proporcionadas experiências para ajudá-la a construir a sua ordem interna. E é esta ordem interna que torna a criança capaz de funcionar bem no ambiente. Ordem sob o poder de raciocinar e adaptar-se às mudanças no ambiente.


O Material Sensorial é a materialização de conceitos matemáticos abstratos. É exato, apresentado à criança com exatidão e será usado por esta com exatidão. As atividades exigem precisão para que a criança possa entrar em contato com os conceitos isolados e por repetição, extrair da essência de cada um e ter uma clara abstração. Esses conceitos ajudam a criança a ordenar sua mente. Ele é capaz de classificar a experiência. A perceção clara e a capacidade de classificar levam a conclusões precisas. O trabalho sensorial é uma preparação para o estudo da sequência e progressão. Ajuda a criança a construir representações espaciais de quantidades e a formar imagens de suas magnitudes, como a Torre Rosa.

A linguagem falada é usada para expressar conceitos abstratos e comunicá-los a outras pessoas. Além da linguagem falada, os humanos passaram a precisar de uma linguagem para expressar a experiência quantitativa, e daí surgiu a linguagem da matemática.

Aos quatro anos, a criança está pronta para a linguagem da matemática. Uma série de preparações foram feitas.

– Primeiro, a criança estabeleceu a ordem interna.

– Em segundo lugar, a criança desenvolveu movimentos precisos.

– Em terceiro lugar, a criança estabeleceu o hábito de trabalho.

– Em quarto lugar, a criança é capaz de seguir e completar um ciclo de trabalho.

– Em quinto lugar, a criança tem a capacidade de se concentrar.

– Em sexto lugar, a criança aprendeu a seguir um processo.

– Em sétimo lugar, a criança usou símbolos.

Todo esse desenvolvimento anterior trouxe a criança a maturidade mental e a prontidão do trabalho. Os materiais concretos para aritmética são assim abstrações materializadas.

Ou seja, percebemos que o quantificar, ordenar, classificar fazem parte do dia-a-dia e ajudam a organizar a mente, permitindo-nos compreender e posicionarmo-nos no meio em que vivemos. Não é à toa que desde que a criança consegue verbalizar adora contar tudo, os degraus, os patos no livro preferido, as conchinhas na praia, ordenando todos os objetos ao seu alcance.

Gostava de saber como acompanhamos a criança na identificação dos números, perceção de quantidades, como calculamos através de jogos em grupo e como vamos gradualmente acompanhando a criança no caminho do concreto ao abstrato, chegando a operações de forma individual, através dos materiais concebidos por Maria Montessori?

Pois dia 29 de junho das 9h às 13h contaremos como trabalhamos os números em Montessori, e estou certa de que a vossa perspectiva da matemática nunca mais será a mesma 🙂

Vamos lá?

Para saber mais veja o link abaixo.

Pode ainda ler sobre a Mente Matemática neste artigo https://montessoriporto.org/a-mente-matematica/.

Boa semana

Joana Rebelo