Quando descobrimos Montessori a primeira reação é muitas vezes de fascínio. Questionamos como vamos conseguir absorver tudo e colocar em prática? Como vamos adaptar a nossa casa? Que atividades devemos começar a dar à criança? Apercebi-me disto pelas inúmeras conversas que vou tendo com quem me cruzo nesta jornada.

Quem é pai e mãe sabe que não existem receitas mágicas na paternidade/maternidade nem manuais. A melhor estratégia é começar, seja lá por onde for. Ainda assim, é importante perceber o caminho que queremos traçar e porquê de o fazermos.

A partir da altura em que a criança começa a andar com mais firmeza, ganha independência de movimento. Ela parte à conquista do ambiente e é um excelente período de treino e preparação (quase que me atrevia a dizer para ela e para nós). Torna-se, então, importante adaptar o ambiente às necessidades dos mais pequenos.

A Joana R. já vos falou das adaptações que fez (ver aqui). Cá em casa também fizemos algumas adaptações. No quarto, colocamos as camas ao nível do chão, para que pudessem ganhar autonomia, criamos um canto de leitura, com livros que estão ao acesso delas, para que assim possam escolher a leitura do dia e colocamos os materiais ao alcance delas.

 

Na casa de banho, optamos por comprar um banco que as permitisse chegar ao lavatório, colocamos um dispensador de sabão, a escova e a pasta de dentes acessíveis. Nem sempre foi fácil gerir o abrir e fechar das torneiras, mas hoje a gestão é feita de forma eficiente.

Na cozinha compramos um carrinho onde temos as loiças que elas usam, água e alguns snacks, de ondem tiram o que precisam quando chega a altura de pôr a mesa ou quando têm fome. Compramos duas torres de aprendizagem para que pudessem ficar ao nível do balcão da cozinha e participar nas tarefas.

Mais do que estas alterações, temos rotinas e rituais (formas de fazer as coisas) instaladas. Com o tempo apercebi-me que elas imitavam tudo o que fazíamos e que, se os passos que dessemos na execução de uma atividade não fossem os mais ajustados às suas capacidades e necessidades, para elas a tarefa ficava muito mais difícil. Recordo-me de quando começamos a regar as plantas, tínhamos de levar o regador da cozinha até ao pátio, o que implicava ter de passar a soleira da porta onde havia um degrau. Por ter atravessado diretamente, sem ter pousado o regador no chão, elas tentaram fazer igual, o resultado foi uma valente poça de água no chão da sala 🙂

  

A ordem e o método, o facto de as coisas estarem ao nível da criança e de acordo com a sua força são os fatores mais importantes a considerar. Se a criança experimentar sequência e ordem, rotina e rituais, organização e pensamento lógico através das atividades de vida prática em casa, será mais natural para ela procurar ordem no mundo.

Estes são os fatores mais relevantes na hora de adaptar a casa e iniciar os exercícios de vida prática. Estou certa de que existem 100 formas de adaptar a casa, mais uma: a de cada um.

Joana Magalhães

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