Sou licenciada em Psicologia do Trabalho e das Organizações e sempre trabalhei na área de Recursos Humanos e, por esta razão, a comparação entre escolas e empresas desde cedo me pareceu bastante interessante. Se Montessori se baseia na ciência da vida, poderá ser aplicado a todas as faixas etárias, incluindo o adultos?  É já mais conhecida a aplicação de montessori às crianças e às pessoas idosas; por isso, porque não aplicá-las também a nós enquanto adultos?

Visto que a maioria dos adultos trabalha em contexto de empresa/ associações ou demais organizações, desempenhando funções mais técnicas ou mais de gestão, o objectivo deste post é reflectir sobre a forma como poderá ser possível fazer um paralelo entre algumas características Montessori e a realidade da nossa actividade profissional.

  1. Conceito de motivação 

A comparação entre ambos é particularmente interessante se pensarmos que a motivação para o que aprendemos na escola ou que fazemos no nosso emprego deixa de ser apenas extrínseca (através de um curriculum obrigatório ou com o objectivo de ter um aumento salarial) e passa a ser intrínseca: baseada em interesses pessoais. Exemplos destes podem ser oportunidades de fazer parte de novos projectos; ter níveis adequados de acompanhamento e de orientação (que priveligiam a autonomia); oportunidades de partilha de conhecimento entre colegas e oportunidades de formação/ exploração do mundo em redor.

2. O ambiente como meio para activar o potencial

Em muitas empresas, tal como em nos ambientes Montessori procura-se ter um cuidado com o espaço que envolve os colaboradores nos seus locais de trabalho; características como a estimulação da criatividade, a liberdade de espaço, a colaboração entre equipas e a relação entre chefia/colaborador é tida em conta na disposição e decoração de alguns escritórios.

Fotografia cedida de https://lemonworks.eu/. Os ambientes são cuidadosamente pensados tendo em conta os valores da empresa e a cultura vivida. Os ambientes têm em consideração as tonalidades, o facto de haver plantas e espaços verdes , bem como o facto de ser ágil para o desenvolvimento de trabalhos mais individuais ou em equipa.

3. Líderes como facilitadores

Ao contrário de muitas estruturas organizacionais mais tradicionais, actualmente algumas das nossas empresas estão já a procurar reflectir este conceito que muito falamos em Montessori: procuram que as chefia actuem enquanto facilitadores do percurso de cada um dos elementos da equipa. É com base no percurso individual de cada um dos elementos, que o gestor adequa o nível de orientação e a quantidade de acompanhamento, dando o espaço necessário ao seu máximo potencial. Tal como a Guia Montessori, também ele deve educar-se a si próprio para não intervir, caso não seja necessário e procurar dar a autonomia e o desafio adequado a cada um, em cada fase do seu desenvolvimento de carreira.

4. O erro como parte do processo de aprendizagem/crescimento;

Por fim, também o erro poderá ser visto de uma outra forma: se há alguns anos atrás errar em contexto laboral poderia ser algo dificil de gerir, actualmente e tendo em conta a visão de Montessori, o erro deverá ser visto como parte do processo de aprendizagem. Muitos exemplos de startups tecnológicas que actuamente estão à escala global ajudam a perceber que o caminho que percorreram até então inclui muitos erros e é o facto de os terem integrado correctamente e de forma evolutiva, que conseguiram alcançar o patamar de revolucionários. Em Montessori o erro faz parte do processo de aprendizagem das nossas crianças, procuramos que, desde cedo, as crianças possam percepcioná-lo e corrigi-lo de forma a integraram esse conhecimento (os materiais que Maria Montessori desenhou têm um papel fundamental).

Rosana Fernandes

 

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